sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A praça, a rua, a praia são do povo... do povo infrator


Desde o começo de novembro a passagem pela avenida Beira Mar, numa extensão de quase dois quilômetros, está obstruída pelas arquibancadas e camarotes do Pré-Caju. Numa cidade em que o trânsito virou um inferno em todas as horas e, nessa desgraça, tornou sem sentido a idéia de rush, é estranho que ninguém reclame. Ou, pior, há uma cumplicidade suspeita entre os poderes públicos responsáveis por cuidar do patrimônio da cidade. O Pré-Caju veio, multiplicou a fortuna fácil dos “empreendedoresprivados, mas continua até hoje, sexta-feira, 11/02, obstruindo escandalosamente a avenida.
Se eu fosse alguém da Emsurb, um promotor da área do patrimônio público, enfim, uma autoridade com a obrigação de tomar providência contra o abuso, não passaria perto do local, por vergonha.
Essas empresas que fazem a logística de festas como o Pré-Caju também fracionam seus equipamentos para servirem outras festas menores. Fim e começo de ano, pré-carnaval, carnaval, tudo isso representa mercado constante. Enquanto atendem esta ou aquela festa, “guardam” suas tralhas em via pública. no pequenino e pobrezinho estado de Sergipe e na cidade de Aracaju uma irresponsabilidade dessas é permitida, nas barbas das autoridades que moram em frente ao escândalo ou passam por ele várias vezes ao dia.
Enquanto isso...
Enquanto isso, camelôs são perseguidos por ocuparem meio metro de via pública tentando vender quinquilharias como agulhas de fogão, pentes e espelhinhos, para conseguirem, pelo menos, um dinheirinho para comer.
E quem disse que os fiscais da Emsurb não trabalham? Estão em ação até nos finais de semana, como os que atuam nas areias do bar Paraty, na Sarney, expulsando abusados vendedores de acarajés e picolés que se atreverem a atravessar o “espaço territorial” (hummm!!!) do bar. Numa terra de homens e leis, o bar Paraty nem existiria ou, se quisesse montar seu negócio no meio de uma praia, comprava o terreno ao poder público ou a quem fosse o dono. Aqui, invade, explora e chama o poder público para fiscalizar e espalhar o terror entre os pequenos.

Serviços públicos, negócios privados

Mais adiante, outros bares promovem nos finais de semana festas privadas, com cercas de metal fincadas na areia da praia. Garotões bêbados ameaçam carros de moradores da área que ousam passar na pista de asfalto. Guardas da CPRv e SMTT assistem a tudo, impassíveis. A ver pela omissão, estão ali, novamente, para cuidar dos interesses do outro lado. Enquanto isso, nesses mesmos fins de semana, a violência explode em todo o estado, periferia da capital e interior, sem a presença vigilante de guardas de trânsito, polícia, bombeiros. Como diria o deputado Justo Veríssimo, pobre tem que se f*.
O Pré-Caju terminou com o “sucesso” anunciado por uma imprensa que, curiosamente, um lado da festa, o zunzun dos camarotes grátis com dinheiro público. Autoridades penduradas nos camarotes mordem o doce uísque pago com nosso dinheiro e colocam a estrutura do serviço público para organizar a festa privada. No fim, entre sorrisos sem graça, inventam uma utilidade pública para um negócio de família. É o que dá, não termos imprensa nem opinião pública.

Lei de incentivo e outros benefícios
A festa termina com lucro seguro nas mãos de quatro ou cinco famílias que dominam o negócio. Quem quis brincar, teve de desembolsar 300 ou 400 reais para ser “chicleteiro”. Mas na nossa República de Bananas o governo despeja milhões de reais, destinados ao fomento à cultura, para uma festa privada. Fora os patrocínios de estatais e apoio direto de governos, prefeituras.
Enquanto isso a Orquestra Filarmônica de Itabaiana, fundada no século XIX e com uma formação perene, sofre nos corredores da buRRocracia federal para conseguir o reconhecimento de utilidade pública. Jamais recebeu um centavo de incentivo.

   

3 comentários:

Hebert Ferreira disse...

Reflexão bastante oportuna! Td isso me provoca calafrios ao perceber quão frágil é a democracia tupiniquin, que confunde LIBERDADE COM LIBETINAGEM. Parece que gente habituada à opressão só funciona mesmo sob o tacão do totalitarismo. Credo!

Carol Correia disse...

Post muito bom!
Essa é a nossa Buracaju.

Edson Costa disse...

Luciano,
Parabéns pelo brilhante texto!
É deveras assustador constatar tamanho descaso do poder público com as coisas que deveriam ser, de fato, de interesse público, de interesse e em benefício da sociedade.
Na contramão do certo e do justo, privilegiam, como bem você enfatizou, festas e interesses particulares.
Esquecem de um dos princípios basilares da Administração Pública: "a supremacia do interesse público sobre o privado".
Excelente reflexão, parabéns pelo texto.
Abraço