sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Tiririca, Ciro e o parlamento que temos

Grande novidade: Ciro Gomes bate boca de novo. De sua boca saiu, dessa vez: “Vagabundo, bandido”. Ouviu, do outro lado: “Ladrão, mentiroso”. É no Ceará, mas não difere absolutamente de qualquer outro estado. Meu vergonhoso Sergipe não é diferente, com o coronel João Alves (graças a Deus, sendo aposentado pelo povo) e essa QI-Zero da Avilete. Mas Ciro é viciado em baixaria. Um boca suja que, durante algum tempo, iludiu uma parte da sociedade, que imaginou tratar-se de novidade na política brasileira. Nada. É um coronelzinho truculento, filho de coronel e criado pelo coroné Tasso Jereissati, que uma vez chamou Almeida Lima de um negócio bem feio, e o sergipano – pasmemos todos! – ficou no “ah, é?”.

Ciro era o Tasso requentado, mas com um desequilíbrio latente, que a toda hora produzia vexames. Não sei como aquela moça educadazinha que dirigiu o fantástico DVD de Waldik Soriano consegue dormir com um traste desses. Tempos atrás ele queimou ruim porque o chamaram de “novo Collor”. É uma ofensa ao Collor, que, apesar de manhoso e também jagunço, é mais inofensivo, e não por virtude, mas por falta de talento. Ciro tem aquela conversa mansa de gente sabida, porque decorou umas trinta explicações econômicas com o saudoso (saudades eternas, belzebu!) Mangabeira Unger. Lembra dona Yeda Crusius, cujo governo é campeão nacional de corrupção (vide todos os jornais gaúchos, até o direitoso Zero Hora, zero cal, zero tudo).

Quando Jereissati retocava a fachada de sua ditadura no Ceará com os ares joviais da entãonovidade” Ciro, este vendeu ao país a ideia de um governo operoso, austero e que seu titular, vejam , era um político desprendido materialmente, quase um asceta. Mas no Ceará, dizia Gonzaga, não tem disso não. Quem chama outro cabra de ladrão nas suas fuças, no mínimo, sabe o que está dizendo. É que Ciro estava incomodado, ainda, com aquela história do aviãozinho fretado pelo irmão governador, para levar a famiglia pra passear em Nova York. Felizmente, a candidatura de Dilma, dentre outros benefícios, condenou a existência física e política deste malaquias aos limites da chapada do Araripe. E que por fique, com seus insultos e desaforos.

Tiririca

O piti do pitibull cearense me faz lembrar um seu conterrâneo, desta feita o doce palhaço Tiririca, que vai arrebentar a boca das urnas paulistas com um milhão de votos. Mil vezes melhor do que o enfezado Enéias (meu nome é Enéééiaassss, que Deus ou quem seja o tenha). A eleição de Tiririca, claro, é uma porrada neste parlamento em que um sujeito com modos de gansgster, como Ciro Gomes, desponta como um dos “100 mais influentes”, como gostam de publicar os marajás do inútil Diap. Tiririca envergonha todo mundo, até essa justiça eleitoral maneira que temos, do Oiapoque a Itabaiana. É a forma enviesada do voto de protesto, o Macaco Tião da hora, mostrando que o povo, com sua sabedoria, prefere mil vezes um palhaço sincero aos pitbulls metidos a sérios.

Tiririca pode não ser muito melhor do que os que estão naquele Congresso mutreteiro, mas não é pior em nada. Talvez por isso, sem poder cassar os votos de milhões de paulistas, o Ministério Público Eleitoral quer cassá-lo de qualquer forma. E para esses doutos da lei o que não faltam são as terríveis razões jurídicas. Punido uma vez por não ter podido ir à escola, os mauricinhos da justiça querem puni-lo de novo sob a “acusação” de analfabetismo. invocando o velho Chico, pra cantar: “joga a pedra no Tiririca, joga a pedra no Tiririca”. Joga a bosta no Congresso, isto sim.

P.S. – Meu filho Fernando, militante do PSOL, me orgulha por vários motivos, mas não entendo como a juventude dele permite que uma estapafúrdia Avilete dessas seja filiada e, pior, candidata de um partido que se pretende de esquerda.

P.S.2 – Marcelo Déda não surpreendeu, porque é este mesmo seu desempenho: seguro, preparado, civilizado e combativo quando necessário. Jovem, articulado, conhecedor de questões técnicas do seu governo, dá de mil no anacronismo de João Alves, enferrujado, titubeante, impreciso e provocador. Por isso é o governador.     

P.S.3 – O leitor Samarone faz importante observação, a respeito do roteiro gastronômico postado anteriormente: o nome certo é cuscuz, e não cuzcuz. O redador se afobou com tantos cuz pela frente. Gracias!

2 comentários:

Gustavo disse...

Esqueceu da dinastia Sarney que perdura sem grandes abalos. Afinal, lá no Maranhão, que conheces tão bem, repousa a melhor definição do que é o coronelismo. Perto daquela família João Alves é um cacique.

Luciano Correia disse...

Não esqueci. Se voltar um pouco no blog, verá uma ou mais referências sobre a famiglia maranhense.