sábado, 19 de março de 2011

Ainda há quem empunhe o "Yankee, go home"

Que coisa esquisita essa reação de alguns núcleos petistas contra a visita de Obama. Durante toda a semana foram verificadas opiniões em contrário, sugerindo críticas e, o que é ainda mais grave, manifestações de repúdio ao presidente. É estranho, porque as manifestações sugerem uma posição ideológica, algo como a marcação de posições políticas de esquerda. Se a explicação for por mesmo, é uma tolice total, afinal, se fosse utilizada uma escala de medição ideológica, dificilmente encontraríamos vestígios de políticas de esquerda em quaisquer dos governos. No caso brasileiro, não é Dilma quem faz um governo de centro, puxando para o neoliberalismo. O de Lula foi assim, embora disfarçado pelas tintas de programas distribucionistas, como o Bolsa-família.
Nos Estados Unidos, centro do império e do capitalismo mundial, a figura de um presidente é quase decorativa. Republicanos e democratas diferem em coisas como a cor dos ternos ou a retórica beligerante. Mas só na retórica, se me entendem. Chegar num Obama, um César negro na terra da Ku Klux Klan, foi até demais. Se os Estados Unidos têm problemas, como as prisões ilegais e torturas em Guantânamo, os furiosos com a vinda de Obama deveriam ser minimamente honestos e dizer o que representam, politicamente, governos como os de Chávez ou de Armadinejad.
Minha geração portou nas ruas, no movimento estudantil dos final dos 70 e início dos 80, cartazes como os que vimos hoje nas ruas do Rio. “Yankees, go home”. Fiquei meio envergonhado, não com a incivilidade da frase, mas pela ausência de originalidade. Esses militantes de calçada não ganhariam um ponto nos desfiles da Sapucaí. Que inventem uma causa justa, ou vão arrumar o que fazer.  

Um comentário:

Gustavo disse...

"Yankee, go home" pode ser velho, mas os protestos quanto ao pré-sal são extremamente válidos, afinal os EUA, com seu aparato marinheiro, já sondam a costa brasileira não é de hoje.
Eles não reconhecem a parte onde está o pré-sal como sendo zona econômica exclusiva do Brasil, ou seja, para os EUA é terra de ninguém.
Wikipédia explica aqui: http://bit.ly/hNHumn
Enfim, os protestos são válidos pelos motivos, mas não pela sua pedida (go home).