terça-feira, 1 de junho de 2010

A Folha caiu na rede

Praia de Atalaia - Década de 70

O jornal Folha da Praia completa trinta anos com um fato marcante: inaugura um site com o melhor de suas crônicas, opiniões e entrevistas. Fico feliz, por várias razões. Primeiro, porque há anos brigo com o editor Amaral Cavalcante pela implantação do site. Menos mal que veio agora. Mas o mais grandioso é aproveitar os limites quase infinitos da internet para ampliar o material impresso, inclusive com a promessa de uma volta às antigas edições. E aí este locutor que vos tecla entra na história. Foi na alternativa e fogosa FDP onde comecei a escrever, antes mesmo de pisar os pés na Facom da UFBA, nos longínquos anos de 1980. Foi na Folha que virei gente, se é que virei. Foi lá que aprendi a escrever, se é que aprendi. Com gente como Fernando Sávio, como ele mesmo dizia, meu pai profissional, o mordaz e poético texto de Ilma Fontes e o auxílio luxuoso de um editor como Amaral, me dando semanalmente os toques que às vezes rareavam nas aulas do curso de jornalismo. Nas cachaçadas com o poeta Amaral, eu sempre comparava a FDP com o legendário Pasquim, de Ziraldo e Jaguar, combativo alternativo que mordia os calcanhares dos generais da ditadura. A nossa nanica Folha também sempre foi um desaguadouro do pensamento de esquerda, que, salvo momentos da velha Gazeta de Orlando Dantas, não tinha onde se expressar. Mas a nossa foi mais safada e atrevida, isso eu garanto, com o testemunho de quem viveu a festiva redação da rua São Cristóvão, no edifício SCAS, em cima da Transbrasil. Porque nasceu no frescor daquele fervilhante verão de 1981, da volta de Gabeira, da transgressão nos litorais, de cima a baixo. Aqui foi a Praia dos Artistas, ainda com o cheiro da maresia do Colodiano, quem fez nossa pequena revolução dos costumes. O rico e disputado acervo fotográfico guardado nas velhas caixas de sapato que o diga. A FDP nasceu ali, de esquerda, safada e malandra, como as meninas e seus biquines vazando pelinhos pubianos que encantaram uma geração nas suas páginas eletrizantes. Onde ali, nas mesmas páginas, briguei com tanta gente, com minha mania de reformador do mundo.

3 comentários:

David Leite disse...

ora tiooo, que boa surpresa poder ler seus escritos na rede. ótima notícia numa semana de tragédias. aquele abraço. saudade de tu, dmilk

sonia disse...

Pois é, fiquei feliz com a notícia! Agora, todos, em qualquer parte do planeta, teremos acesso à Folha da Praia!

Anônimo disse...

Duas coisa boas na anêmica mídia sergipana: seu "Blog" e a "Folha da Praia" na Rede. Amaral precisa botar seu link lá e você o dele cá.

Antonio Samarone.