domingo, 23 de maio de 2010

Por que o Espaço Público?

Há alguns anos criei um blog, mas logo em seguida, por falta de estímulo e a compreensão que tenho agora, acabei abandonando no caminho. Desde 2006, quando saí de Sergipe para fazer o mestrado (depois o doutorado) no Rio Grande do Sul, acabei negligenciando minha colaboração, a começar pela vibrante Folha da Praia, alternativo que fez história no jornalismo sergipano e ainda hoje, trintona em forma, contribui com a formação de opinião no estado. Agora, prestes a iniciar mais uma jornada, achei que a ideia do blog estava amadurecendo. Blog e twitter de vez, num dia só, o dia de hoje.Quer dizer, o twitter eu já tinha, desde o começo do ano, mas esse perigoso desinteresse pelas novas ferramentas me fez entrar de manhã e sair de tarde.
Acontece que, para o bem e para o mal, a vida real, ou o mundo da vida, no dizer de Habermas, corre por aqui, este novo espaço público que se configura diariamente, sem, no entanto, revogar as velhas formas de vida (ainda bem!). A intenção de começar um blog nessa nova jornada, o doutorado sanduíche que inicio agora em junho, era a chance de juntar tudo isso: fazer um relato político-literário-acadêmico de minha vivência em Madri, na Universidade Carlos III, me manter ligado às raízes e, por fim, reinserir minha participação no debate público, no meu caso, a partir do jornalismo.
A obsolescência de antigas ferramentas e a crise do jornalismo clássico, cujos cânones são gradativamente desconsiderados em favor de uma espetacularização da notícia e sua subsunção ao mundo dos negócios, tudo isso nos anima a nós, militantes históricos dos movimentos de esquerda, a seguir buscando um mundo mais justo. Em Sergipe, essa ressaca rebate sobre nossa imprensa de maneira violenta, mas deixarei para tratar disto em outros momentos. Apenas cumpre dizer agora que é justamente nessas fases de nevoeiro político e ideológico que urge nossa intervenção. E aqui estou para isso.
P.S.: Não me preocupei em estabelecer regras de interação aqui neste espaço. Amante do debate aberto, convido todos à participação livre, sem restrições. Só não tolerarei os atos que resultem em ofensa e baixo nível. Isto, a velha e boa ética resolve. E não é difícil identificar o bom do mau combate.

3 comentários:

sonia disse...

Beleza, Luciano!!! Só assim teremos, sempre, notícia suas!!!! E os seus textos ma-ra-vi-lho-sos!
Grande beijo!

Jozailto Lima disse...

Que bom, caro Luciano, que você retoma o debate e em dose dupla. Creio que o blog e o twitter se dão muitíssimo bem a isto. E não se preocupe com a fixação de regras de interação. O mundo das novas mídias por si só já se encarrega disto. Nele, cada indíviduo é o meio e a mensagem. E cada um deles - meio e mensagem - se comportará de acordo com a sua visão ontológica da coisa e do mundo.
Faça da Espanha a sua Itabaiana. Afinal, o conceito de que o mundo é uma aldeia global está chegando ao seu paroxismo. Ao seu extremo. Carecemos de um novo, e pra já. Possivelmente um que constate que as vísceras do humano ser é o objetivo a ser atingindo. Ou revirado.
Bala não, que é coisa que mata mais do que choque de automóvel ou trombada de trem: made texto.

Jozailto Lima, seu leitor

Folha da disse...

O Luc pródigo

Ei-lo de volta. O velho Lucbeat patinado pela poeira da estrada. Nada mais On the Road que este reencontro com o seu texto ambulante, ácida linguagem inda tropando obstinada nossa mais cara paisagem: a estrada que quisemos nossa, sinuosa, bêbada de vida e de contradições.

No Folha da Praia o seu silêncio era um anátema. Uma auto-excomunhão difícil de explicar. O silêncio acusador da sua ausência, um barulho infernal em nossas páginas.

Pois ei-lo de volta:
Amaral Cavalcante