Nesta quarta ,
às dez da manhã , no auditório
do CECH, no Campus da UFS em
São Cristóvão, acontece o Cepos
Debate Aracaju. O Cepos é o Grupo
de Pesquisa Comunicação ,
Economia Política e Sociedade ,
do Programa de Pós-Graduação
em Ciências da Comunicação
da Universidade do Vale do Rio
dos Sinos (Unisinos-RS). O Cepos ,
do qual faço parte desde
minha entrada no mestrado
na Unisinos, em 2006, realiza reuniões
mensais na nossa sede
na Unisinos, em São
Leopoldo (RS). Periodicamente, realiza debate em
universidades de vários
estados brasileiros .
Nesta quarta é a vez
de Aracaju, através do curso
de Comunicação Social
da UFS. O palestrante desta edição em
Sergipe é coordenador do grupo , o professor
doutor Valério Cruz
Brittos, do PPGCom-Unisinos, que vai falar
sobre o tema “Padrão
tecno-estético na TV brasileira : Rede
Globo e modelos alternativos ”.
Farei a mediação, a partir do tema
“O conteúdo local na televisão ;
tendências e perspectivas
em Sergipe”, que foi
o objeto do meu mestrado
na Unisinos. O evento é aberto a todos
os estudantes , professores ,
profissionais de comunicação
e interessados em geral .
terça-feira, 12 de julho de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
Vá para a História, Itamar
A corrente Travessia , ou os chamados “Autênticos ” do MDB, que a historiografia às vezes esquece, foi feita de gente do calibre de Marcos Freire, Fernando Lira , Cristina Tavares, Ulisses Guimarães, Franco Montoro, Jackson Barreto e... Itamar Franco , dentre outros . Essa turma impôs ao regime militar , em 1974, uma acachapante derrota , que em Sergipe representou a eleição de Gilvan Rocha para o senado contra as oligarquias plantadas há séculos no poder . Aqui , também deve ser registrada a heróica figura de José Carlos Teixeira, grande brasileiro de Itabaiana, filho de “seu ” Oviêdo, que , junto com os irmãos Tarcício e Luís, da Norcon, ofereceram apoio político e material a tantos opositores banidos . Homens de coragem , que a História haverá de guardá-los na galeria do bem .
Itamar fez uma carreira de oposicionista , às vezes radical , ora destoando. Mas sem nunca deixar de ser íntegro e de cumprir , na presidência , um mandato surpreendentemente avançado , progressista , fincando as bases desta nação potência que se tornou possível depois do Plano Real . Que ninguém esqueça: todos , que gozamos do desenvolvimento econômico e da liberdade política no nosso país , devemos muito a Itamar. Sua morte , hoje de manhã , empobrece a melhor política , dos tempos em que esta era uma arte dos homens movidos pelo quase esquecido espírito público .
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Biutiful não é beatiful
Vi “Biufitul”, o belo filme de Alejandro González Iñárritu, com o galã da hora do cinema mundial, Javier Bardem. Chamo a película de bela pela poesia que carrega em sua imensa tristeza , mas a história nada tem de bonita . Ao contrário , mostra uma Europa que identifiquei aqui no blog, sombria e ameaçadora, com seus fantasmas desenterrados apontando nas esquinas . O desespero de seu protagonista , Uxbal (Bardem), numa Catalunha saturada de imigrantes , que exploram ilegais . Senegaleses como os que vemos em todas as praças da Espanha, vendendo CDs piratas e correndo da polícia o tempo inteiro . Chineses predadores que vão ganhando o comércio do mundo na tora , sob exploração brutal .
No meio de tudo isso , um herói bandido se beneficia com a escravidão , mas compensa sua sina com pequenos gestos grandiosos . E paga com seu próprio calvário , um câncer que vai lhe devorando aos poucos . A melancolia do filme é a mesma que perpassa a vida de milhões de imigrantes da África e do leste europeu , além dos nossos latinoamericanos, que vagam pela Europa na ilusão de bons empregos . Com a crise naquele continente , não só os empregos desaparecem, como reacende as velhas feridas , como o preconceito , a xenofobia e outros males que já incendiaram a Europa de ódio . Tudo tão longe e tão perto , se observarmos que meio século é quase ontem .
O bom do filme , pois , é o alerta para uma gente branca e proprietária , que passeia seu glamour em cima dos escombros de uma civilização em decadência . Como nas questões do clima , da política , economia e do intrincado xadrez das relações sociais no velho mundo , não custa nada avisar , mesmo porque os fantasmas estão aí , semi-enterrados e dispostos a retomar seu desfile de horrores .
domingo, 29 de maio de 2011
Bibi Ferreira no tempo
Acho que só me vinguei de Bosco meses depois , quando , numa nova coincidência de datas entre o interesse público e os meus , optei por permanecer na então Praia dos Artistas com os lombreiros da Folha da Praia , que uma tarde de domingo é para ser gasta com uma enfieira de cervejas . Perdi o emprego , mas mantive o amigo , dos melhores que tive, até hoje , amizade sólida . Bosco, além de tudo , é dado a surpresas , como esta: em 8 de dezembro de 2007, minutos antes de começar minha defesa de mestrado no prédio da Faculdade de Design de Porto Alegre , ele irrompeu na sala para levar o abraço e o conforto ao amigo que , duas horas depois , se transformaria em mestre em comunicação .
No sábado passado , acordei com Bibi na Globo News, radiante nos seus oitenta anos , falando da vida e da fantástica carreira de uma artista polivalente , no teatro , na música e na televisão , em várias atividades . Fala do pai, que ficou rico com a bilheteria do teatro , mas , também , perdeu tudo com belas mulheres . Dessas moças que falam na TV, algumas com status de atrizes , e que gritam horrorosamente ao falar . E receita : “tem que falar num tom bem mais baixo , assim ...”. Bibi Ferreira é elegância pura .
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Dona Helena ressuscita o Reisado do Mosqueiro
No último sábado aconteceu, na Orla Por do Sol do Mosqueiro, a apresentação do Reisado do Mosqueiro, grupo folclórico que preserva uma das mais belas e tradicionais raízes culturais de nosso estado . Dona Helena merece um capítulo à parte , pela história de resistência para manter funcionando o grupo que remonta há décadas , de pais para filhos . Não são apenas as poderosas atrações da indústria cultural que ameaçam as manifestações tradicionais, mas também os pequenos grupos de bairros , manifestações emergentes de uma cultura suburbana em que predominam ritmos como o arrocha , pagode e outros , todos eles legítimos , a não ser pelo fato de que ocupam os espaços sem deixar sobras para a diferença . Que o digam os milhares de carros de som que infernizam nossa vida cotidiana , com a complacência da polícia e do Ministério Público .
Num mundo onde a publicidade e a mídia martelam o tempo inteiro seus conceitos de “ser jovem e moderno ”, de uma estética concebida nos laboratórios do consumo (laboratórios de cosmética , inclusive e principalmente ), insistir num modesto reisado é quase uma loucura .
A nota triste
Na festa de sábado , conseguimos espaço , gambiarra e até a cessão de uma equipe de filmagem, pelo governo , para a gravação do sonhado DVD do grupo . Uma alegria para dezenas de famílias , tão fartas de pagodes e parangolés. Idosos saudosos de seus melhores tempos , crianças maravilhadas com uma forma de cultura que não conheciam nem pela TV (principalmente na TV), enfim , uma confraternização de uma comunidade historicamente esquecida pelos poderes públicos .
Na apresentação do sábado , uma mulher incorporou o personagem “doida ” para agredir e afrontar todas as famílias presentes , atrapalhando a dança e lançando impropérios e gestos obscenos na direção de todos , evidentemente incomodados com as agressões . A todo momento , pessoas retiravam a figura , conhecida na região como “Negra Lia ”, que imediatamente voltava ao local e reiniciava seu espetáculo paralelo . Sem polícia no local (lembram da história do abandono ?), moradores ligaram para o 190, que , com uma explicação técnica (para eles , claro ), negaram a ajuda .
O pior da história é a ligação da desordeira com o proprietário do único bar beneficiado com a implantação da Orla , o conhecido Kid, que , já em outros momentos , tem demonstrado aberta reação à comunidade , em atitudes grosseiras e até recusa em servir moradores locais no seu bar . No carnaval , o Kid (nome apropriado ao perfil ) ordenou a retirada de ambulantes que tentaram vender alguma coisa no calçadão , assumindo assim as funções de xerife e se arvorando substituir o papel das autoridades .
quinta-feira, 5 de maio de 2011
A Princesa e as plebéias
Amigas queridas comentam post do blog sobre o casamento dos boas vidas ingleses. O marido , o príncipe William, muito mais boa vida do que qualquer mortal . Dizem, com razão , que um casamento como este é um espetáculo riquíssimo em todos os detalhes , do cerimonial da realeza aos panos da noiva , da enorme bolsa de Elizabeth e a inevitável pergunta que ela deriva : o que tem na bolsa da Rainha ? A crítica às minhas recaídas machistas- leninistas, são pela má vontade em ver no casório algum tempero de entretenimento . De fato , não acho graça na festa dos ricos , pela perfeição do script , mas me distraio com a dos pobres , pelo conjunto da obra que uma bagaça dessa traz consigo .
Xico Sá, cronista melhor colocado no ranking da hora , faz uma crônica comovente no seu blog, muitíssimo mais visitado que o meu . Ele fala nas feiras livres de Sampaulo e a beleza das “donas ” que encantam nossas compras e fazem a festa de feirantes e pregoeiros . Xico vê a feira como uma alegre festa de princesas anônimas, apertadas nos vestidinhos e largas nos sorrisos . Segundo ele , os vendedores são mestres em produzir gracejos , adjetivos às pencas , elogios às dúzias . Por fim , vaticina: “Meia hora de uma mulher na feira vale mais do que um mês de análise , do que a onda de orientalismos tantos do mercado , do que a yoga, do que o mestre japonês das agulhas , do que uma banheira de sais , do que um dia de cartão de crédito free na Oscar Freire...”
O lirismo do cotidiano , para usar o título de uma antiga coluna da revista Vida simples , depende da encomenda do freguês , e pode ser captado, inclusive , nos jardins de Buckingham. Remar com a maré ou preferir a diversidade, é só uma questão de escolha do papel para entrar no grande circo da vida , nas novas variações de realidade e fantasia .
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Obama e Osama e o gosto por sangue
As primeiras notícias , desde a madrugada da segunda no Brasil até o início da manhã , revelavam uma mídia afobadinha e imprecisa , dando crédito , por exemplo , a uma foto manipulada digitalmente . Só depois assumiram o fiasco . Na mesma onda , repetiam as alegações dos executores americanos : o corpo teve um enterro no mar , de acordo com os ritos islâmicos . Como assim , enterrado no mar ? Queriam dizer , certamente : jogado ao mar , para os tubarões . Quanto aos rituais islâmicos de preparação dos mortos (que inclui lavar o corpo e embalá-lo em lençóis), pode-se ter uma idéia a partir do tratamento dispensado aos presos do Iraque ou de Guantânamo.
Num dos canais brasileiros dedicados ao jornalismo , uma repórter repetiu o dia inteiro : “parecia até final de campeonato ”. Endoidou também , a pobre moça . O canal , sem critérios , exibiu a infeliz frase uma, duas, dez vezes num só dia . Pobre jornalismo pobre !
Obama deverá ganhar sua eleição , com apoio de democratas e gente de esquerda do mundo inteiro , na certeza de que ele é um mal menor , perto dos psicopatas republicanos. Mas longe da idéia do homem que nos pareceu – e a tantos de minha geração – quando , no dia de sua vitória , comemoramos a ascensão de um César negro desta Roma moderna . Que feio , mister presidente !
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Uma família torta, uma princesa maneira e súditos otários
A Globo News, geralmente boa, foi se imbecilizando nas últimas semanas , até parar numa moça chamada Joana Calmon, arremedo de repórter do canal em Londres, como diria a Veja, ruim de doer . Meu Deus !, que tipo deslumbrada e puxa saco . É o melhor exemplo de que em Oropa, França ou Bahia, se não tiver calete, gasta-se a vida com futilidades . Para lembrar o saudoso Clóvis Bornay, essa menina só foi à escola para comer a merenda .
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