sábado, 1 de agosto de 2026

Glória e ocaso do ex-país do futebol

 

Depois de 24 anos sem ganhar uma Copa do Mundo e ser eliminada pela sexta vez por uma seleção europeia, a antes gloriosa Seleção Canarinha marcha de forma inexorável para o mais humilhante ocaso. Foi-se o tempo em que viajávamos pelo mundo e o principal passaporte dos brasileiros eram nomes dos nossos craques. Pela ordem: Pelé, Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Romário, Cacá... Neymar. Hoje não temos um sequer, ninguém que chegue perto de craques que estavam todos os anos na lista dos melhores do mundo.

O Brasil jogava nas regras, mas fazia a diferença com uma criatividade única, um molejo malandro dos Didis e Garrinchas que não só deixavam o mundo encantado, como faziam a diferença nos resultados. Ganhávamos de cinco, seis, sete gols. Já a Europa, era burocrática, escrava das regras. Hoje somos nós os burocratas do futebol, sem criatividade, cumprindo o ordinário dentro de campo. Em compensação, a Europa incorporou o estilo e agora pratica um futebol com jeito de arte.

Quem diabos inventou a cobrança de pênalti com paradinha? Se o esporte bretão nacional não padecesse de tantas mazelas, de uma imensa Brasília corrupta espalhada pelos 27 Estados sustentando uma CBF podre em forma e conteúdo, só a infame paradinha do pênalti serviria para atestar nossa indigência.

Pois coube a Bruno Guimarães, justamente um dos poucos que jogava futebol dentro do campo, cobrar uma penalidade com a paradinha que denuncia o canto onde se pretende jogar a bola. Ancelotti não serviu nem pra isso: pra corrigir essas estultices e botar ordem na bagaça.

Ancelotti ainda é um dos melhores treinadores, até porque não temos outros no horizonte, mas é um conservador, que fez bobagens de principiante na montagem do time. Porém o pior não é o fiasco técnico-tático, mas a adesão ao pacto da safadeza, a começar pela convocação de um Neymar totalmente fora de condições e a patacoada daquela festa cafona da convocação, a concessão ao mundo fútil dos influencers e outras iniquidades.

Depois disso, perdeu a vergonha de vez: foi ao samba, gravou comerciais de cerveja e até ensaiou uns versinhos do hino nacional. Só faltou pedir uma rapariga emprestada ao presidente da CBF, alguma de sua fabulosa coleção.

O cara que veio para consertar, com a autoridade de um quebra-tudo, capitulou à turma do Neymar e sua famiglia mafiosa, dos jogadores de brinco de diamante e dos dirigentes com suas putas alegres. Se era para depender dos Casemiros gordos e cansados, era melhor apostar em Pedro, João Pedro e outros que não foram chamados porque não estavam no seu radar europeu do Real Madrid. Time que tem um Paquetá não merece ser chamado de seleção.

Foi melhor assim. Como diziam os militantes do PSOL, quanto pior, melhor. O fundo do poço é logo aqui. Mas que ninguém se iluda: a esperança de uma virada virou conversa da ressaca da última derrota. Vai existir sempre, para a canalhada da CBF e suas amantes patrocinadas continuarem existindo e rindo de nossa cara de palhaço. Enquanto o futebol brasileiro, CBF, Rede Globo e agora as Bets forem a expressão do lodaçal da Brasília e de nosso Congresso Nacional, seremos a partir de agora, e sempre, o ex-país do futebol.