Na semana passada fui a Itabaiana por dois dias, onde mato saudades, encontro a família e amigos, e passo em revista o crescimento da cidade. A rigor, nada deveria me surpreender, porque estou na serra mais ou menos a cada 15 dias, mas dessa vez tive mais tempo para caminhar pelo seu centro comercial e constatar algumas peculiaridades que fazem da experiência serrana um caso para pensar.
O esvaziamento dos centros comerciais e históricos das grandes e médias cidades brasileiras é tema batido nas últimas décadas. Já vivi nos centros de Aracaju e Salvador e frequentei muito essas áreas centrais de Porto Alegre e São Paulo em diferentes épocas. De fato, o fenômeno de quase morte dessas regiões precarizadas pelo abandono do poder público e pela evasão de comerciantes que preferiram levar suas atividades para bairros densamente povoados, galerias e shoppings, se multiplicou pelo país inteiro.
Até se registram, aqui ou ali, tentativas de revitalização que tinham tudo para dar cento. A megalópole paulistana, por exemplo, com sua capacidade inventiva de identificar soluções imediatamente, mesmo com administrações ruins como a do prefeito Ricardo Nunes, tem conseguido responder com medidas efetivas. Em Aracaju, no final dos anos de 1990, a gestão do ex-prefeito João Augusto Gama também fez um esforço nesse sentido, mas esbarrou no projeto caótico e desastroso de uma arquiteta de triste memória para os aracajuanos.
É aí que chegamos ao centro comercial de Itabaiana, município de economia pujante, cujo desenvolvimento se esparrama para outras regiões do estado, seja sob forma de investimentos mais pesados, seja pela difusão de uma marca que virou sinônimo de coisa positiva, com qualidade, eficiência e preço bom. Me refiro aqui às centenas de mercadinhos, bares, madeireiras, lojas de material de construção e outras variedades de comércio que ostentam na porta o que a cultura local dos sergipanos cravou como uma grife: Itabaiana. Eles estão espalhados no estado inteiro, dos bairros populares da capital aos distantes rincões do interior.
E, dentro dessa irrefreável fuga que deslocou a atividade comercial dos centros para bairros e shoppings, Itabaiana apresenta o que os publicitários, sempre com seus inglesismos de congressos, chamam de “case”. Pois Itabaiana é um case de sucesso nas duas pontas dos negócios: nas novas fronteiras abertas nos últimos anos, sobretudo a partir da chegada de Valmir de Francisquinho à prefeitura, e na manutenção de um centro comercial vivo e extremamente ativo.
Os inúmeros negócios abertos em bairros como o Chiaria Lubich, por exemplo, dão mostras de uma cidade moderna, que pratica a inovação na natureza de suas próprias atividades e numa arquitetura de vanguarda, contemporânea e futurista. Na maioria das cidades onde esse processo de deslocamento da atividade econômica ocorreu, a explosão de crescimento nas novas fronteiras significou a ruína dos antigos espaços. Menos em Itabaiana.
É aí que retomo meu périplo a pé desde sua gigantesca feira até a casa de Mamãe, na avenida Luís Magalhães. A rua 7 de Setembro, antes povoada de oficinas mecânicas e outros pequenos negócios, é hoje uma via repleta de lojas de variedades, belíssimos centros médicos e empresariais e modernos escritórios de advocacia, além de restaurantes e lanchonetes que fazem com que a vida permaneça ativa mesmo após o fim do expediente. O sucesso de uma rua, evidentemente, não ocorre isoladamente. No seu entorno, várias artérias secundárias ostentam boutiques, lojas de material esportivo e produtos de tecnologia digital. Tudo isso a poucos metros da praça João Pessoa, onde a vida pulsa praticamente 24 horas por dia.
Essa Itabaiana moderna e economicamente forte não resultou do acaso de iniciativas individuais de empresários e trabalhadores. Tem por trás a ação efetiva e planejada de um rapaz vindo da mais dura labuta. Valmir de Francisquinho “pegou carrego” em feira, foi marchante no mercado de carnes e depois entrou no ramo das auto-escolas. Com a política no sangue, foi vereador mais votado e, depois de cinco mandatos, chegou à prefeitura com uma ideia na cabeça: romper com o ciclo de atraso alimentado pelas duas correntes que ao logo de décadas se revezavam no comando do poder local, ambas com fortes rasgos de coronelismo, assassinatos e desmandos financeiros e administrativos.
Valmir também foi líder estudantil do lendário colégio Murilo Braga, onde presidiu o Centro Acadêmico, o mesmo que também fui diretor, anos antes. Dirigiu por um bom período a rádio Capital do Agreste. Ali, além da administração da emissora, também atuou como âncora de programa jornalístico, afinando ainda mais sua sintonia com o povo.
Os resultados que Itabaiana expõem hoje podem ser comprovados de várias formas, como o périplo que fiz pelas suas ruas. O desenvolvimento está ali empiricamente, a olhos vistos, sem precisar de muletas políticas ou jornalísticas para atestar o sucesso. A marca Itabaiana já se expandiu por todo o Sergipe como exemplo, como lição do que deu e dá certo. Primeiro, pelas mãos de comerciantes, empresários e trabalhadores que resolveram explorar novos mercados. Agora, seu filho Valmir, humilde de origem e de caráter, mas grande na alma e na capacidade transformadora, oferece a todos os sergipanos a oportunidade de que esse estado, vitimado pela má política e por uma elite trepada nas mamatas do poder público há mais de 200 anos, abrace para o futuro dos seus filhos um Sergipe que se espelhe na grandeza da loba Itabaiana-Grande.
quinta-feira, 30 de julho de 2026
A locomotiva que inspira Sergipe
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